como vive
um vivente
a beber como água
a aguardente
do amor?
cambaleantes
dançam nas calçadas
embriagadas
as verdades do amor
dançam
e mentem
e creio
e rezo
como vive
um vivente
sem beber como água
a aguardente
do amor?
embriagado
cambaleante
escrevo torto
e atordoadamente
a dúvida
é para os sóbrios
para os sábios
lábios ardentes
línguas incandescentes
palavras delirantes
loucas
e impossíveis
roucas
e improváveis
tantas
e tão poucas
lentas
e insanas
a sussurrar
sorrindo
que o amor
não passa
de um velho
e solitário
poeta bêbado
teimando
infinita
e aguardentemente
em embriagar verdades
e rimar a gente

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