há um blues
no fim do túnel
digo que ando
sem tempo
mas desconfio
que é o tempo
que anda
sem mim
doenças verdadeiras
doenças inventadas
tudo mata
tristezas verdadeiras
alegrias inventadas
tudo arrasa
verdades absolutas
mentiras relativas
tudo acaba
crimes passionais
guerras venais
tudo ou nada
notícias vendidas
notícias compradas
tudo cala
esperanças perdidas
um olhar que me acha
tudo é pouco
nada basta
se o céu 
encontra o mar
o mar
a areia
e os grãos
teus pés
meu passo
encontrará
teu rastro?
corro
o risco
que rabisco

classificados


procura-se um sorriso
largo fácil puro
de brinquedo desejado
(novo ou usado)
frio
e no lixo
o sol passa
pelos furos
de um velho guarda-chuva
caindo
em gotas de luz
sobre palavras
que comem bergamota
e se esquentam
como lagartos
água de poço
poço sem fundo
estou cheio
sem tudo
um poema
me faz carinho
diz que a pedra
virou caminho
milongue
me 
alongue
se
horizonte
nos
perca de vista
mal
te 
vejo
bem
te
vi
assovioviropássaro
convidei o mar
para dançar descalço 
sobre meus pés estelares 
a canção lunática 
que guarda escondida 
sob o atlântico disfarce
de um aparente vaivém
na minha boca 
explode tua vida 
juntando os pedaços 
da minha
me faça bem
como o sol
desta manhã
de agosto
domingo acordo
sem mais nem menos choro
domingo inverno e sol
as lágrimas saem pra passear