domingo, 6 de dezembro de 2009

só preciso de um poema malcriado
para dizer foda-se essa porra toda
dou vivas ao palavrão
bem-vindo ao meu poema
que eu quero mais é mandar deus à puta quem nem o pariu

domingo, 29 de novembro de 2009

nada que reflete
arremessa
ameaça
estremece

a minha pressa
não permite
ver o visto
sem ver o vasto

o que não remete
não me interessa
não me atiça

o que não existe
é relativo
se num dia me matam
no outro
já estou vivo

domingo, 22 de novembro de 2009

a essas alturas
vejo tudo pequeno
na palma da mão

no copo
tristezas afogadas
e nós boiando
embriagados
dizendo bobagens
contando piadas
a limão

sábado, 14 de novembro de 2009

regras retas

réguas

nada afere

exata mente

desmedida

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

no fundo
ando à to(n)a

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

dói tanto
que nem sei
dói tanto
que esqueci

sábado, 31 de outubro de 2009

virá do aquém
trevas sem luz
céu sem deus
nem bem me verá
será de alguém
a quem servirá
à luz de velas
a luz dos versos

domingo, 25 de outubro de 2009

as luzes dançam
com o planeta
sob meus sapatos
que reclamam
que bebi demais
e ouvem
mas não suficiente
não o suficiente
meus caros
pra ver tudo duplo
como é
e não parece ser


(Do livro risco)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

errante
ou errei o mundo
ou errei a hora

sábado, 17 de outubro de 2009

meu bem maybe
baby talvez
rime em inglês

não sei
quem sabe
em que língua calar
depois de se deixar
dentro de alguém?

dá vontade de dormir sem dormir

palavras sonâmbulas
dançam com óvulos
e fazem filhas
e lágrimas correm como crianças

lágrima

que outra palavra assim
tão linda em minha língua
poderia trazer tal gosto de sal?

moondo da lua
venha me visitar

aprendeu com o sol a me esquentar
virei lagarto

se alguém olhar atravessado
e estiver preocupado
que prenda os versos

motim

fuga em massa

cubro você com cobertores que incendeiam a rebelião
durma assim como se fosse acordar criança
sonhe como se nunca fosse acordar

off
on
descansar é bom

entre demências e dormências
flutuam minhas mil cabeças

moderno dilema eterno
arder ou não arder
no fogo do inferno?

temperado pro banquete
levo comigo um bilhete
ao diabo bom apetite

piano
cobras
joaninhas verdes
gritos
lábios
tiros
é cedo para dormir

é tarde para dormir

afinal
a noite acorda
ou dorme de manhã?

ou é
a noite
o café
da manhã
e somos
sonhos
servidos
quentes?


(Do livro Bluz)

domingo, 11 de outubro de 2009

anúncio

procura-se um sorriso
largo fácil puro
de brinquedo desejado
(novo ou usado)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

prato

seus olhos
cortaram minha lâmina
e você me serviu
aos pedaços
a você
e seus desejos
musicais
me perfuraram
e cortaram
como talheres sem fim

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

crime perfeito

sábado, 26 de setembro de 2009

fora-da-lei

que lei explica
a gravidade desse nosso caso?
ao se juntarem
nossos corpos

mais pesados
que esse ar pesado

sobem

amendoim esfarrapado

caminhava esfarrapado
como um amendoim esfarrapado
pensando que a dor
é a obviedade das paixões
que são as obviedades dos sonhadores
dirigíveis indirigíveis
centauros
metade zeppelin
metade fogo
fadados a sedutoras tragédias
que sempre vêm após sedutores voos
que sempre nos jogam ao chão
esfarrapados
como amendoins teimosos
logo óbvios andarilhos
em direção à próxima esquina
que na dimensão dos sonhadores
não passa de um abismo
irresistível

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

palavra
larva
paladar
fome de voar

terça-feira, 22 de setembro de 2009

poesia
presa é gaveta
livre é veneta

domingo, 20 de setembro de 2009

toque
do toque
que me loque
um lance
num pique
de moleque
e o queéque
eu faço
em cheque-mate-me?


(Do livro risco)

sábado, 19 de setembro de 2009

que me importa o quanto já se falou de amor
como pode ser lugar comum o incomum da gente?

estou a fim de te falar uma longa frase de amor
pra que você chegue ao fim cansada e durma sobre mim

mesmo que eu acorde de uma longa frase de amor
cansado com tua falta dormindo sobre mim
que me importa?
estou a fim de te falar uma longa frase de amor
do amor que me faz humano e mesmo sem amor amante


(Do livro Bluz)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

água de poço
poço sem fundo
estou cheio
sem tudo


(Do livro Bluz)

sábado, 12 de setembro de 2009



a vida
tanto
melhor
fica
quanto
mais
da fantasia
se aproxima
disse a formiguinha
beijando tua boca
no guardanapo
de papel


(Do livro risco)

não entro
não empurro
vou ficar na rua
se chover me molho
me seco quando vier o sol
na rua é que fico
não entro
não empurro
que negócio é esse de porta me dar ordens?


(Do livro Bluz)

domingo, 6 de setembro de 2009

não estranhe
se eu subir as paredes
como um sol
ou descer ao centro da terra
como uma ficção
ou sumir no silêncio
como um criminoso
como um criminoso
ensolarado e irreal
eu volto

sábado, 5 de setembro de 2009

ninguém cabe no mundo
nem em si
ou num poema

a gente simplesmente
não tem cabimento


(Do livro bluz)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um beijo roubado

seu pensamento tão longe
traz o sofrimento
tão rápido
quanto se vai o sabor
da doce madrugada

e seu pensamento tão longe
que não me vê
tão perto
quanto o eterno sabor
de um beijo roubado


Para ler ouvindo a trilha de Um beijo roubado, clique no link com o lado direito do mouse e abra em outra janela ou aba
http://www.youtube.com/watch?v=4cCupTpjjfo

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

tonto
toim
tinto
tim tim
tanto
tam tam


(Do livro risco)

sábado, 29 de agosto de 2009

um escritor que não ama
escreve um lindo poema de amor
e sem entender de onde vem
chora
e adormece só
sem respostas
sem ver
sem beijar
seu amor
sorrindo
dormindo
profundamente
ao seu lado

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

e então
todo mundo parou
pra trepar de dia
na hora do trabalho
e à noite
o mundo dormiu
exausto
feliz
e não era mais o mundo
quando acordou
era uma porra louca
voando no espaço
pra fecundar o sol
que nascia
da minha garganta


(Do livro risco)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

nem o doce
mais doce
repõe meus níveis
de você

domingo, 23 de agosto de 2009


tango
milonga
blues
trem
bala
roleta
russa



(Do livro risco. Pintura de Mário Schuster)

sábado, 22 de agosto de 2009


o homem acordou
com o som nos olhos
e os olhos no teto
de seu pequeno mundo

a mulher resmungou
pedaços de palavras

o homem riu
porque pensou
ter ouvido o terço
de trás para frente
riu mais
porque pensou
que não tinha diferença
do terço dito na ordem

o som aumentou
o teto abaixou
o terço no quarto

o homem empurrou seu corpo
para fora da cama
calçou sua bola de ferro
pois estava frio
e saiu pelo corredor
para reclamar da invasão
a seu pequeno mundo

a mulher que abriu a porta
disse que estranhava sua demora
para vir escutar música
escrever qualquer coisa
nas paredes
e usar a boca
para coisas mais interessantes
do que dizer o terço
na ordem ou ao revés

enquanto ouvia
atingiu sete pontos
na escala richter

a mulher pegou a bola de ferro
e colocou no cabide
pois pensou que fosse a causa do frio
e da tremedeira
que derrubou os dias
do calendário
em que cristo olha o teto
de um mundo pequeno
no apartamento do homem

o resto da noite
poderia levar richter
a repensar sua escala

pela manhã
cabelos atirando para todos os lados
atravessou o corredor
na contramão
das galinhas
patos porcos e sapos
matinais

a mulher preparava o café
e tudo o que o homem falou
foi assistido em silêncio
pelos dias do calendário
espalhados pelo chão
pela mulher
que cobria os ouvidos
com algodões amarelos
e pelo próprio homem
entorpecido com o eco
das implosões simultâneas
que vinham das noites seguintes

os dias
desde então
não mais existiram
varridos pela mulher
para debaixo do tapete
em que o homem voou

e cristo
nem se deu conta
distraído
com as moscas no teto


(Do livro risco)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

jogo os olhos pra fora do corpo
que liberdade há no rosto?
de cima da loucura vem teu beijo
e corro e corro que não paro
que é preciso dizer que no fim há o fim
que liberdade virá depois?
a sanidade cansa
de cima de teu beijo mais loucura vejo
e corro e corro que não paro
que liberdade haverá
antes de te alcançar?


(Do livro Bluz)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

as palavras não me fogem
pois não as prendo
não me faltam
porque são livres
estão aqui
nestes poemas
apenas para se divertir

(Do livro risco)

sábado, 15 de agosto de 2009

Um breve comentário

Quando vi pela primeira vez o documentário I'm your man (coluna ao lado), entre as emoções provocadas pela música, pela poesia e pela figura sedutora de Leonard Cohen, a mais forte veio com a canção If it be your will, com Antony arrebatador. Como digo em um dos poemas deste blog, as lágrimas saíram para passear. Depois, ao rever a música no Youtube, percebi que esta era uma reação compartilhada de forma extraordinária, expressa nos comentários sobre o vídeo (que está aqui ao lado também). O filme e a canção, de beleza sublime, inspiraram a poesia e o pequeno vídeo que fiz como uma espécie de agradecimento a Leonard Cohen (ver na seção de vídeos).

Para Leonard Cohen

velhos poetas
caem sobre o mundo
envelhecido
de novidades sufocantes

chovem suas canções
cortam meu coração
sufocado por sonhos
envelhecidos

e aos prantos
lavo minha alma
para o caso
de chegar alguém

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

um poema
precisa ter início
e um meio
de não ter fim


(Do livro risco)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

rime qualquer coisa
com coisa alguma
mas arruma um jeito
de me fazer feliz

bata todos os recordes
tome anabolizantes
chegue antes
e me faça feliz

na contramão e embriagada
na velocidade da luz
me jogue pra fora da estrada
e me faça feliz

politicamente incorreta
a meta justifica os meios
corrompa meus medos
e me faça feliz

não meça as palavras
não seja educada
me mande a merda
e me faça feliz

cometa os pecados
me mate e me engula
me coma com gula
me faça feliz

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

resumindo...

giro como a terra
em torno
de uma só(l) poesia

(Do livro Bluz)
doenças verdadeiras
doenças inventadas
tudo mata
tristezas verdadeiras
alegrias inventadas
tudo arrasa
verdades absolutas
mentiras relativas
tudo acaba
crimes passionais
guerras venais
tudo ou nada
notícias vendidas
notícias compradas
tudo cala
esperanças perdidas
teu olhar que me acha
tudo é pouco
tudo vale
nada basta

domingo, 9 de agosto de 2009



o sol
se espanhola
pelas peles
lentas violetas
sonolentos
violões
letais



(Do livro risco. Pintura de Mário Schuster)

sábado, 8 de agosto de 2009



leve
ao fogo
à chama
leve
queime
aos poucos
como o diabo
me carregue



(Do livro risco. Pintura de Mário Schuster)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

escrevo para mudar
então mudo de linha

ali encontro
uma ilusão
sorrindo
zombando do mundo
imenso globo ocular
de um olhar perdido

escrevo para mudar
então mudo de linha
assim mudo de mundo

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

não vivo sem você
meu clichê
não vivo sem você
meu cachê
não vivo sem você
meu sakê
não vivo sem você
e já esqueci porquê

(Do livro crime perfeito)

terça-feira, 4 de agosto de 2009


na minha boca
explode tua vida
juntando os pedaços da minha



(Do livro Bluz. Pintura de Mário Schuster)

domingo, 2 de agosto de 2009




tirou tudo
à sombra da razão

sua roupa
e meus pés do chão

(Ilustração de Mário Schuster)
há um blues
no fim do túnel

(do livro Bluz)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

imortal


se você viesse
num dia de sol
e frio
com este jeito
de bolo
com café
ai que preguiça
de morrer

(Do livro risco. Pintura de Mário Schuster)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

no ar


os guizos
de um poema
cintilam cheiros
que te fazem dançar
sobre meu beijo
secular
sob meu tempo
circular
escultor
de seixos
no ar


(Do livro risco. Pintura de Mário Schuster)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

passava e não via
fosse a vida uma cobra
mordia

(Do livro Bluz)

sexta-feira, 24 de julho de 2009



e numa de suas tantas voltas
o mundo se transformou
virou uma bola de futebol
livremente desenhada


e me disse
termine logo esse poema
pra eu ficar
sempre assim
sempre aqui

(Ilustração de Pedro)

futebol no barro
banho de chuva
uva com melancia
não faz mal
o que mata mesmo
é perder pro tempo

(Do livro Bluz. Ilustração de Theo)
das alturas
jogou-me um azul
das profundezas
mandei-lhe lavas vermelhas

(Do livro risco)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

crime perfeito


venha com violência
traga desordem
ponha tudo a perder
destrua minha vida
mate-me
e esconda meu corpo
entre tuas pernas

(Dos livros crime perfeito e risco. Ilustração de Maurício Muniz)

Janela de vidro de febre

gostava das imagens
que os delírios exibiam
nas febres de 40
dos cinco anos

gosto de sonhar
gosto de cinema
não gosto de AAS

(Do livro crime perfeito)

Morango com chantilly

eu saí correndo
e aquele amor louco
como um brócolis bom para o coração
me perseguia
e ria da minha cara
de fósforo apavorado

aquele louco amor
me amava
loucamente

e dançava
como uma pitanga pirada
que nem sabia dançar

e ria muito
deslizando
como uma bola de ferro
sobre uma janela de vidro de febre
fazendo voltas
em minha respiração
e em minhas pernas
com uma corda da guitarra
do Jimi Hendrix

e sorriu
como quem lambe o sol
quando caí como chuva
e rolei como um morango com chantilly
para sua boca

(Do livro crime perfeito)

terça-feira, 21 de julho de 2009

mal te vejo
bem
te
vi
assovioviropássaro

(Do livro risco)

domingo, 19 de julho de 2009

domingo acordo
sem mais nem menos choro

domingo outono e sol
as lágrimas saem pra passear

(do livro Bluz)

sábado, 18 de julho de 2009

não me traga
me leve
me siga
me parta
em um só

(Do livro risco)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

para um twitter poético

deixei o mundo
que se foda
vou ser um poema
não direi coisa com coisa
não darei o endereço
quem quiser me achar
que se perca

(Do livro Bluz)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

lá vem um poema
se aproximando
desajeitado
tropeçando
cambaleando danças

acho que esse poema bebeu

se abraça em mim
e de repente
saímos pela rua
dançando
tropeçando
nas margens sóbrias
das calçadas

e zigue
e zague
descalços
rindo à toa
de nossos passos
humorísticos

acho que bebi
um poema
bêbado

(Do livro risco)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

bebeu como se fosse água
que um cara sem nada para dar
trouxe em sua jarra vazia

saciou-se com a miragem
que um cara sem nada para dizer
disse em sua poesia

provou do mundo
que um cara sem nada para fazer
fez em apenas um dia

e descansaram
domingos a fio